Quinta, 14 Dez 2017
 
 
Economistas recomendam medir índice de qualidade de vida em lugar do PIB

O modelo econômico vigente no mundo – do início do século XVII – parte da premissa de que os benefícios sociais são conquistas exclusivas do crescimento econômico. Economistas do mundo contestam essa premissa e provam que esse é o grande equívoco da economia clássica.
Um grande exemplo vem do
Prêmio Nobel de 2009, na categoria Economia. Conquistado por Elianor Ostrom, da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, a cientista política trabalhou com uma pequena comunidade norte-americana e provou que a economia local não exercia supremacia sobre o mundo natural e social; era apenas um subproduto. Baseada na chamada Economia Ecológica, a cientista política foi a primeira mulher a conquistar o Nobel nessa categoria.

altSubstituição do PIB pelo Índice de Qualidade de Vida
Processos econômicos clássicos resultam em danos irreversíveis
Para a Economia Ecológica – EE – o mundo natural e social deve necessariamente se sobrepor ao mundo econômico.
O matemático e economista Nicholas Georgescu-Roegen, considerado pai da EE, publicou mais de 100 trabalhos alertando que a economia tradicional seria absorvida pela ecologia por contradizer as leis da natureza: as leis da termodinânica e da bíofísica. Naturalizado norte-americano, Nicholas já dizia em 1940 que os processos econômicos clássicos resultariam em danos irreversíveis para a natureza e para a humanidade. 
Atualmente, milhares de economistas seguem seus princípios e são membros permanentes de associações e institutos mundiais dedicados exclusivamente à EE. 

Uma das idéias defendidas pela Economia Ecológica refere-se à substituição do PIB (Produto Interno Bruto) pelo Índice de Qualidade de Vida que contempla: saúde ambiental; saúde humana: física, psíquica e espiritual; redução da distância entre pobres e ricos; redução do consumismo; valoração dos serviços prestados pelos ecossistemas para que sejam preservados, atividades econômicas a serviço do homem e não o contrário.

 

Hugo Penteado, mestre em economia pela USP (Universidade de São Paulo), declara, em seus livros e entrevistas, que a economia clássical olha o mundo só pelo fluxo produtivo e não pelos estoques de matéria e de energia produzidos pela natureza negando as leis da biofísica. "Se milhares de pessoas passam fome o sistema econômico entende que é preciso produzir mais e não que há desperdício de alimentos da ordem de 50% segundo a FAO (Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas). No Brasil, a questão energética é solucionada com uma nova usina e não pela melhoria do desempenho das atuais, as quais produziriam 40% mais de energia". 

 

Valor dos ecossistemas: 33, 3 trilhões de dólares por ano

Estudos conduzidos por Robert Costanza, arquiteto e professor do Instituto Gund de Economia Ecológica da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, atribuiram valores aos ecossistemas em 1997. Uma equipe composta por economistas e ecologistas calcularam o valor de 17 serviços ambientais prestados por 16 ecossistemas mundiais, entre eles as florestas tropicais e os manguezais. Chegaram ao valor 33,3 trilhões de dólares por ano, contra 18 trilhões anuais do PIB mundial, ou seja: a natureza faz muito mais pelo homem do que a economia.

Para o economista e professor da Universidade de Maryland, Estados Unidos, Herman E. Daly, a Economia Ecológica é a Ciência da Vida e somente ela poderá trazer o progresso humano: o bem estar social.

Pegada Ecológica

William Ress, um dos criadores da “Pegada Ecológica”, afirma que o progresso deve surgir de um novo modelo que contemple um indicador para medir a quantidade de território que determinada população necessita para viver e para que seus resíduos possam ser absorvidos pela natureza. William Ress, é professor em ecologia populacional, na  Escola de Planejamento Comunitário e Regional da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá.  

Já o economista francês, Serge Latouche, professor da Faculdade de Direito e Economia da Universidade de Paris Sud, lidera um movimento mundial chamado Decrescimento Seletivo da Economia visando à redução da exploração dos recursos naturais. Segundo o professor francês, as tecnologias limpas não solucionam as questões ambientais atuais.

 


 
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