Quinta, 14 Dez 2017
 
 
Bromélias controlam a umidade das florestas

 


Crescendo no topo, no centro e no pé das árvores, as bromélias controlam a umidade das florestas, liberando ou retendo a água armazenada em seu interior. Além de atuar como “sistemas de irrigação ”, oferecem tudo que é necessário à sobrevivência de diferentes espécies. Nas áreas periféricas das bromélias formam-se lagoinhas e nas partes secas solos ricos em minerais. Ali borboletas, beija-flores, rãs, abelhas, macaquinhos, vagalumes e minúsculas serpentes saciam a sede, tomam banho e alimentam-se. Alguns vivem em seu interior, outros ao seu redor. A bromélia do tipo Ananás camosus – é, ainda, o saboroso abacaxi

 bromélias de guaratuba, por ezio agostinho

 

Apesar de seus atributos, durante muito tempo as bromélias foram destruídas por acreditar-se que eram responsáveis pelo aumento do mosquito transmissor da dengue. Felizmente, a ciência mostrou que as bromélias são inocentes.

Estudos do Instituto Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública e pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro confirmam que as bromélias não são vetores da dengue. Os pesquisadores comprovaram que essas plantas não são microhabitats para o desenvolvimento de mosquitos das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus, dois dos principais vetores da dengue no Brasil.

 

Para o estudo, foram capturados, durante quase um ano, aproximadamente 3 mil espécimes de mosquitos encontrados em 120 bromélias pertencentes a dez diferentes espécies da planta no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O espaço fica a menos de 200 metros de moradias do bairro da Gávea, área endêmica da doença no Estado do Rio de Janeiro.

 

Bromélias são inocentes

Bromélias são também usadas em jardins públicos e privados. A abundância desse tipo de plantas onde a dengue é endêmica tem sido usada para difundir "que esse tipo de planta é uma ameaça para o controle da dengue", comentam os pesquisadores em artigo publicado na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Os resultados da coleta demonstraram que as espécies nativas de mosquitos Culex e Wyeomuia são os mais abundantes e o Aedes aegypti e o Aedes albopictus são raramente encontrados nessas plantas, que não devem assim ser consideradas um problema para o controle da dengue.

 

Competição entre fêmeas

As bromélias foram expostas a chuvas e não foram tratadas com nenhum tipo de inseticida durante a pesquisa e nem nos dez meses anteriores. Do total de mosquitos capturados, 77,2% eram do gênero Culex e 21,4% do Wyeomuia. Somente duas larvas de Aedes aegypti (0,07% do total de mosquitos) e cinco de Aedes albopictus foram coletadas (0,18%), o que sugere não serem essas duas espécies bons competidores em relação aos outros mosquitos habitantes naturais de bromélias ou que as fêmeas dessas espécies preferem não depositar seus ovos nesses locais. Os pesquisadores ainda alertam que, por contraste, formas imaturas de Aedes aegypti foram encontradas em 5% de recipientes artificiais das casas da vizinhança.

 

Mosquitos de bromélias

"Nossa hipótese é que as espécies de Aedes aegypti encontradas ocasionalmente em bromélias podem estar correlacionadas a altos níveis de infestação na área, sendo, assim, resultado de uma competição acirrada por habitats de oviposição", afirmam os pesquisadores. "De qualquer forma, é necessário investigar a fauna de mosquitos encontrada em bromélias mantidas em ambientes domésticos (casas e quintais) devido ao fato de essas plantas serem populares em áreas consideradas endêmicas para dengue," concluem eles.

 

Fonte: Diário da Saúde/Revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz

 

Crédito da foto: Ezio Agostinho, da Associação Amic

 
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