Quinta, 14 Dez 2017
 
 
“Os jet skies são um inferno para a maioria das pessoas e uma maldição para o ambiente"
Essa é a constatação do Comandante Luiz Carlos Tau Golin, autor do título acima. Professor da Universidade de Passo Fundo, RS, jornalista e mestre em navegação, Tau Golin, como é mais conhecido, é autor de vários artigos e estudos sobre as motonáuticas no Brasil, conhecidas pelos brasileiros como jet skies. Saiba mais lendo o resumo de uma de suas publicações:



Em meio à tranquilidade de Guaratuba surgem os jet skies circulando junto aos banhistas
Foto de Marcos Pertinhes, da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Bertioga

Segundo estudos de Tau Golin, raros países permitem o uso de jet skies  em águas internas. São admitidos somente como equipamento de salvamento de uso exclusivo das instituições do Estado e em dois tipos de competições oficiais. Mesmo no Brasil são diversas as barragens, lagoas, rios, praias e cursos d´água onde jet ski é proibido.

Pessoas boníssimas entraram na ´onda´ do jet ski por modismo e por ser permitido, no entanto,vários elementos agregaram ao equipamento uma baixa densidade social, ou seja, somente alguns gostam. Para a maioria é um inferno. Para o meio ambiente uma maldição.A começar pela entrada do  jet ski no Brasil que faz parte daqueles meandros que o senso comum condena na política brasileira. A navegação responsável tem o jet ski como uma espinha de peixe na garganta e a própria Marinha o classifica como máquina que exige condições especiais para seu uso.
Os pescadores também são pouco afáveis com os motonautas, pois sabem que quando o jet ski ingressa nas águas mata as ovas e espanta os peixes que iriam garantir a sobrevivência da família. Sem contar a reação de banhistas com a aproximação do equipamento. Limitar as extravagâncias dos motonautas, e a consequente barbárie nas águas, é um ato civilizatório.

Municípios exigem licenciamento ambiental

Há no Brasil milhares de pessoas sem cultura náutica e a consequência mais evidente dessa realidade foi a eliminação ou quase extinção de algumas práticas saudáveis: sumiram os nadadores, são raros os remadores e velejadores.

Hoje, grande parte da barbárie das águas se deve a incultura sobre navegação e a ausência de planos de gerenciamento costeiro nas esferas municipais, os quais carregam metodologias educativas. Apesar das leis internacionais, das leis brasileiras e das normas da Marinha, a inexistência do Plano Costeiro Municipal é o que leva à desarmonia nas águas com liberação de potência de motores, inadequação aos espaços, indefinição de locais próprios, limitação de velocidade e presença do jet ski.

Nos lugares onde o jet ski é permitido seu uso está relacionado ao grau de cidadania dos indivíduos, mas como não é possível exigir consciência, alguns municípios adotaram medidas específicas para proteger a vida humana e o meio ambiente. É o caso da cidade do Rio de Janeiro que exige licenciamento ambiental para utilização de jet skies em rios, lagos, lagoas, no mar e nos cursos d´água desde 1995.

Principais danos causados pelos jet skies segundo estudos de Tau Golin:


- O princípio normativo da navegação é o de não colocar em risco a vida humana e não alterar e ou poluir o meio ambiente. Na esfera da navegação o  jetskie é considerado um problema, pois e em certas circunstâncias é considerado instrumento de crime ambiental e sua autuação independe da inspeção naval. Ao jetskie se aplica também a legislação ambiental;

- A violência dos turbos dos jet skies rebentam as ovas dos peixes e matam os alevinos;

- Se apenas dez jet skies andarem duas horas despejarão cem litros de combustível com óleo nas águas;

- Os jatos dos jets skies além de poluírem as encostas e margens, revolvem os sedimentos do fundo das águas impregnando-os com óleo que não se pode remover, transformando-se em resíduo permanente. Consequentemente, o fundo das águas passa a ser composto pelo sedimento poluente. Por essa razão as águas ficam barrentas por onde trafegam essas máquinas;

O jet funciona como um misturador. Todos os poluentes lançados pelas demais embarcações – que permanecem flutuantes – são revolvidos pelos turbos dos jets acabando por também serem misturados aos solos;

- Os indicadores de saúde recomendam protetores auriculares para ambientes com nível acima de 85 decibéis. Os jets produzem ruídos na faixa de 85 a 105 decibéis. Além disso, quando o jato sai d´água o ruído muda de intensidade reproduzindo som de motosserra que é mais perturbador do que o som constante. Segundo a pesquisadora Joanna Burges, da Universidade de Rutgers, Nova Jersey, Estados Unidos, o ruído dos jets espanta os animais seis vezes mais do que os barcos com motor de popa;

Os jets, que podem alcançar mais de 100 km/h, são máquinas de múltiplos impactos. Até sua invenção não se conhecia outro equipamento em termos de poluição sonora, poluição da água, problemas à natureza e segurança nas vias navegáveis.

Saiba mais:
- Áreas de Proteção Ambiental de Lagamar www.geo.ufv.br – publicado em 2000
- Caracterização físico-química das águas  www.geo.ufv.br – publicado em 2000
- Prevenção da poluição por óleos e outros www.liber.ufpe.br/teses - publicado em 2003
- Resíduos lançados por embarcações esportivas: http:/ojs.c3sl.ufpr.br/ojS2 – publicado em 2010
 
next
prev